20/06/2010

Tudo começou no sábado passado.

Era Dia dos Namorados e eu sou um ser livre, que preza pela sua liberdade — leia-se solteira — e eu resolvi pegar o metrô e fazer um passeio. Cruzei com certos tipos de casais que me fazem acreditar em relacionamentos e eternidades e outros que me diziam exatamente ao contrário. Como uma fileira inteiramente composta por casais homo-hétero acima de sessenta anos. Bonitinho. Ou um casal de cadeirantes.

— Vem cá, querida. Você namora, né? Ganhou presente?
— Sim. Um tênis. Pela cara eu dava uns R$ 20, mas aí eu joguei na internet e é… R$ 115 e eu achei ótimo, porque vou na loja trocar por um sapato escândalo.

Depois eu desacredito no amor do mundo e sou errada.

Mas o que eu queria dizer que, enquanto eu analisava as pessoas e seus comportamentos perante feriados comerciais, eu sem querer comecei a ler o jornal do senhor do meu lado, a reportagem falava sobre um bar recém-aberto em Botafogo, onde o dono prometia dar uma rodada de cerveja gratuita a cada gol da Nigéria conta a Argentina. Só então eu percebi que, olha, a Copa do Mundo tinha começado.

Aí eu parei pra pensar e eu criei esse blog em 2007, ou seja, não há nenhum post em referência ao inferno que foi a Copa do Mundo de 2006. Ou a de 2002, eu acho.

A de 2002 eu passei na casa de uma (agora falecida) tia minha que morava num lugar bem distante. E com os meus tios e tinham balões enormes e fogos. E a minha tia era doente por futebol, então, foi bem divertido, porque os acessos de raiva dela eram como um espetáculo.

Esses dias eu passei lá pela Uruguaiana e vi um grupo de pessoas bem denso em frente a uma dessas lojas de departamento, tipo homens e mulheres, de dezoito e setenta anos, pós-expediente, etc e eu me perguntava qual seria o fator de união diante de um grupo tão… heterogêneo? Aí eu olhei pra mão deles e e eles trocaram figurinhas do álbum da Copa, cara! Tem noção?

E hoje eu fui no mercado. E tinha um cara muuuuuuuuuito bonito e grande, com uma camisa tipo retrô do Vasco e eu quase o cantei, coisa e tal, mas, oi.

E a mulher atrás de mim falava demais comigo e eu só queria observar a grande fauna exótica das pessoas que povoam as filas do supermercado num domingo, mas ela queria saber como era que eu sabia que os palmitos estavam macios e eu nunca comi palmito. Aí ela disse que era como champignons e eu odeio champignon.

Sei lá. Ela também falou que alcaparra tem um aroma ótimo e que fica impregnado na sua garganta, que é ótimo para usar em peixes.

E eu odeio peixe.

Mulher não dá uma bola dentro, né. Aí eu penso que dez minutos antes, uma mulher ficava constrangida e bonitinha porque eu presenciava um ataque espontâneo de alegria diante da promoção do Bis. Como se ela me devesse explicações, né.

— É que… hoje é dia de jogo, né? Só assim pra agüentar.

Obs.: Esse post foi escrito com um intervalo de tempo mó grande que eu não sei expressar.

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