No ano retrasado, eu sempre comprava balas de hortelã e outros artigos com um senhor que vendia tudo isso do lado direito da saída da estação do metrô. Eu dava boa tarde e ele sempre sorria. Ele era careca. Um dia ele perguntou se podia me pedir uma coisa. Eu tenho sexto sentido forte pra caramba e, institivamente disse “não”, “por favor!”, “não”. Pedir para eu encontrar o filho que ele não vê há trinta anos — ok. Ver se a careca dele brilha o suficiente — ok.
Na semana seguinte ele perguntou se podia e, porra, eu disse um não bem forte, porque para insistir tanto assim, coisa boa não pode ser. Obviamente. Na outra vez ele mandou a educação à (crase) merda e perguntou se eu poderia trepar com ele. Claro que não foi com essas palavras, porque as pessoas não são diretas, elas dizem tudo com eufemismos, porque as pessoas gostam de eufemismos. Eu não esbocei nenhuma reação e fui embora, enojada, porra, eu compro balas e pessoa tem desejos sexuais por mim, por meninas novas e esquisitas. Doentio isso.
Eu detesto eufemismos sexuais e eu ia dar um exemplo de como as pessoas não são diretas e ia dizer que ninguém diz “ei, vamos fazer um papai-mamãe agora”, mas é um exemplo surreal demais, meio impossível. Acho bacana as pessoas que são diretas, tipo eu, que dizem “quero te comer agora”, ok, eu não sou tão direta assim, mas, vejamos, eu não insinuo as coisas, o que já é um grande passo. E, melhor, além de não insinuar, se eu insinuasse, não seria aquela insinuação escrota.
Então, eu passei a ir pelo outro lado da estação. O lado esquerdo e, basicamente, tanto faz o lado. O tempo é o mesmo. Fiquei com medo dele fazer mais propostas de ordem sexual.
Esse ano, um daqueles caras que dão papéis de Compro Ouro na Presidente Vargas me parou. Me chamou de princesa, disse que ele ficava lá até 17h e que poderíamos esticar.
Tem uma banca de jornal que fica perto da estação e um velhinho muito bonitinho vendia livros a R$ 1.00. Ele tinha um gosto literário horrível, mas volta e meia tinham algumas coisas boas. Ele era francês. Os livros que ele vendia eram os livros dele, que ele resolveu se desfazer. Ele tinha livros em francês, guias de astrologia e aquelas revistas de mulher solteirona tipo Sabrina. Hoje lembrei dele e resolvi fazer uma visita, perguntar da vida, etc.
O dono da banca agora era o careca vendedor de balas de hortelã e outros artigos. Ele tava de bigode. Fiquei horrorizada, ainda mais porque ele tornou a me cantar, tipo, ele disse que fazia desconto pra mim porque “por você eu faço tudo, morena” e, sei lá, horrorizada.
Na semana seguinte ele perguntou se podia e, porra, eu disse um não bem forte, porque para insistir tanto assim, coisa boa não pode ser. Obviamente. Na outra vez ele mandou a educação à (crase) merda e perguntou se eu poderia trepar com ele. Claro que não foi com essas palavras, porque as pessoas não são diretas, elas dizem tudo com eufemismos, porque as pessoas gostam de eufemismos. Eu não esbocei nenhuma reação e fui embora, enojada, porra, eu compro balas e pessoa tem desejos sexuais por mim, por meninas novas e esquisitas. Doentio isso.
Eu detesto eufemismos sexuais e eu ia dar um exemplo de como as pessoas não são diretas e ia dizer que ninguém diz “ei, vamos fazer um papai-mamãe agora”, mas é um exemplo surreal demais, meio impossível. Acho bacana as pessoas que são diretas, tipo eu, que dizem “quero te comer agora”, ok, eu não sou tão direta assim, mas, vejamos, eu não insinuo as coisas, o que já é um grande passo. E, melhor, além de não insinuar, se eu insinuasse, não seria aquela insinuação escrota.
Então, eu passei a ir pelo outro lado da estação. O lado esquerdo e, basicamente, tanto faz o lado. O tempo é o mesmo. Fiquei com medo dele fazer mais propostas de ordem sexual.
Esse ano, um daqueles caras que dão papéis de Compro Ouro na Presidente Vargas me parou. Me chamou de princesa, disse que ele ficava lá até 17h e que poderíamos esticar.
Tem uma banca de jornal que fica perto da estação e um velhinho muito bonitinho vendia livros a R$ 1.00. Ele tinha um gosto literário horrível, mas volta e meia tinham algumas coisas boas. Ele era francês. Os livros que ele vendia eram os livros dele, que ele resolveu se desfazer. Ele tinha livros em francês, guias de astrologia e aquelas revistas de mulher solteirona tipo Sabrina. Hoje lembrei dele e resolvi fazer uma visita, perguntar da vida, etc.
O dono da banca agora era o careca vendedor de balas de hortelã e outros artigos. Ele tava de bigode. Fiquei horrorizada, ainda mais porque ele tornou a me cantar, tipo, ele disse que fazia desconto pra mim porque “por você eu faço tudo, morena” e, sei lá, horrorizada.

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