Hoje eu comprei um tênis novo e sinto machucar os corações apaixonados por mim. Agora eu tenho um tênis que tem sola e isso é muito bom. Quando chover, eu posso olhar pro céu agora. E não pro chão. E não molhar as minhas meias. Segredo: a única que não é furada é rosa-choque.
Eu acabei de acordar. Eu acabei de dormir, na realidade. Eu deitei na minha cama, olhei pro teto e dormi. Muito tempo que eu não fazia isso.
A história de por que não viramos porra de monstros e nos tornamos aquilo que chamamos de “pessoas”. Eu tava aqui, pensando. Mãozinha no queixo e tudo. A hora do relógio está errada, acho que uns vinte minutos adiantada.
A coisa mais legal que aconteceu na semana passada foi conhecer uma menina que tinha o sorriso da Natalie Portman. E, dia desses, a atriz ruiva que me olhou nos olhos enquanto falava dos olhos de Teresa do poema do Manuel Bandeira. Ela me olhou bem no fundo. E todo mundo reparou. Eu devo ter comentando. Olhou a alma. Na realidade ela deve ter encontrado um oco, por isso parou de olhar.
Que porra, quero ficar aqui escrevendo pra sempre.
Eu devia parar de ser assim. Tô estranha tem um tempo. Estranha para o meu habitual, então pensa. Deve ser o caos.
— Eu queria tomar café agora, mas elas vão achar que eu sou viciada.
— Você é viciada.
— Você acha isso?
— Sim.
— Como se define um vício?
— Questão de tempo/vezes. Última abstinência. Se é uma das primeiras coisas que você faz ao acordar.
— Eu sou uma viciada.
É cômodo demais pra mim ser indiferente, ralar o joelho e usar shorts como se nada tivesse acontecido. Ai, cinismo. É sincero e real. O negócio é que eu quero sentir mais, sei lá, sofrer. Eu não nasci pra me foder a porra do tempo todo? Então. Desce e se fode aí. Dedico a Núbia, que faz parte do grupo dos que nasceram para tomar no cu. Só que eu tomo no cu sozinha, porque eu sou louca. Com ela acho que é conspiração do Além.
Meu pescoço dói. Eu quebrei a cama.
— E pra quê você quer um cigarro?(a resposta não é óbvia, uma vez eu peguei um cigarro e escrevi “eu te amo” e dei para a menina fumante compulsiva que eu, de fato, amava, amo, coisa e tal, ela ficou feliz e eu disse que dava um tiro nela se ela fumasse os meus sentimentos)
— Não sei. Vontade de fumar.
— Hm.
— Fumar, chorar. Aí eu fico bêbada. Chorar, fumar de novo e aí tomar um café. Ou um chá.
— Uhum.
— Eu vou agora. Preciso me trocar. E, fica bem.
— Uhum. Fica..., ...., (...), ..., (...), (...) bem também.
Porra, eu realmente quero que você fique bem. Às vezes falar com você é mais um soco no estômago que qualquer outra coisa. Anyway, vou tomar café.
22/07/2009
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