Não vou pra lugar nenhum. Pronto, é isso. Sem praia, sem fogos, sem amigos, sem camaradagem, sem beijinho, porra nenhuma. Eu quero ficar aqui, na minha, comendo esses biscoitos esculpidos pelos deuses e eu quero que todo mundo morra de câncer por tanta hipocrisia, esse amor descabido, essa falsidade dos infernos. Mas, viu, mentira. Fiquei sem dinheiro, do nada. Ontem fui comprar minha camisa de lenhador. E não tenho dinheiro pra passagem. E não rola de ir a pé até Copacabana porque agora não dá mais tempo. E eu moro na Tijuca. E Copacabana e Tijuca são extremos na linha 1 do metrô.
Dois mil e nove, ano ímpar. Adoro tudo o que é ímpar porque é tão… ímpar? Orgasmos mil, muito bom, muito bom. Anos pares sempre são os mais escrotos (vide esse). Minhas expectativas estão sendo razoavelmente boas. Vida e O Além, por favor, não me dêem uma rasteira.
E eu vou escrever do jeito que eu quiser, do jeito que eu quiser e não é Reforminha Ortográfica que vai me calar. Aliás, minha rebeldia está tão latente que vou acrescentar o cê e o pê mudo. Sem exceptuar nada. E, não, vou escrever do jeito que eu quiser sim, não vou ficar me forçando emocionalmente a fazer nada e ponto final. Não cogitei a possibilidade de tirar o acento do vêem não. Não fiz, não faço questão.
Voltei do mercado agora a pouco, utilizei minha Roupa de Ano Novo. A minha Roupa de Ano Novo é escolhida de acordo com a minha Melhor Roupa. Minha Melhor Roupa sempre será a Roupa de Ano Novo e vice-versa. Compreende a linha de raciocínio? Utilizei minha Roupa de Ano Novo para ir ao mercado tentar ser um pouquinho feliz. Ela consiste em: camisa de lenhador, uma bermuda/shortzinho jeans rasgado e um Converse (com sola), total preto e cadarço vermelho — muito bonitinho, moderno. Nossa, tô mal de roupa. Aí eu solto meus cabelos que andam muito bonitinhos e pronto. Aí bate o sol e eles ficam meio castanhos e tal. Coisa bonitinha demais, tão tão tão que eu não sei, mas eu juro que não sei como as pessoas não se apaixonam instantaneamente por mim como eu me apaixono por elas. Não, eu não dei pra ser brega, mas, poxa, é verdade. Juro pra você.
Aí, pois é, eu fui buscar o pão e eu vi uma mulher tipo assim… Tipo assim vestida total igual a mim e eu comecei a rir, porque adoro Rio de Janeiro & suas pessoas. Aí eu pedi uma opinião sobre o pão e tal e ela deu. Fim de encontro. Continuando minha saga de voltinha pelo supermercado, eu tirei foto (do celular — meu atestado de rendição ao sistema) de umas Sidras Cereser que eu vi, nossa, eu comecei a rir compulsivamente (lembrei das pessoas dizendo “Reveillon só é bom para encher a cara com Cereser e blá”) e tirar diversas fotos. Só parei quando o moço que trabalhava lá começou a me olhar com piedade.
Corta. Eu estava na fila e o moço perguntou se eu iria fazer rabanada e eu disse que nah, não. Ele me contou que o avô dele detestava qualquer tipo de doce, mas que rabanada era exceção e eu falei que enjoei de rabanadas há uns dez anos. Ele disse que odiava e que a mulher dele fazia uma puta questão e… aí, do nada, ele bruscamente perguntou se eu gostava do Natal e, né, “divertido… mas não ganho presente, então digo que é data capitalista” e ele concordou demais comigo. Ele e eu detestamos castanhas portuguesas, porque são caras e grosseiras. E, aí, nós dois, no maior papo, quando meus olhos pousaram sobre um Johnnie Walker Black Label 12 Anos e, imediatamente, lembrei da minha amiga que curte uma marvada pinga — Ana Laura Rodrigues — Lalinha, para os íntimos. Porque além dela ser chegada num álcool, o patrão dela também é — mas não chega a ter problemas com a bebida, pelo contrário, eles se entendem muito bem. Daí que ele comprou um cachorro e colocou o nome de Johnnie Walker. Fim da história. Te dedico!
Não acredito que não vou me jogar no mar como oferenda pra Iemanjá. Droga. Aguardo com muito tesão minha previsão 2009 do Personare (que é uma ciência exata, diga-se de passagem).
Agora estou aqui, on fire. Já comprei meu pote de sorvete e serei feliz com meu Show da Virada. Odeio Show da Virada. Vou ver Harold and Maude. Depois Funny Games.
Beijas estreladas e cheias de glitter,
