23/05/2011

Eu queria provar que eu estou certa, eu tenho essa necessidade, mas, nesse caso, eu estou errada e duas semanas semanas não são o suficiente.

16/12/2010

Me dá esse cigarro. Você não devia fumar, viu, Bruna, porque cigarro te faz mal. Faz mal pra mim, que viro fumante passiva e tenho mais chances de desenvolver câncer que você. Me dá um trago, afinal, fumante ativa ou passiva, no final das contas todo mundo vira total flex porque one side não dá futuro. Puta que pariu, queimei o meu dedo. Pensei que estivesse bêbada o suficiente para não sentir dor. Mas estou o suficiente para passar a minha língua nos dedos, como se fosse aliviar… porque, afinal, a minha língua é quente. Eu sou quente. Demais. Puta que pariu, que tesão. Nossa, isso é ruim de você se alcoolizar, uma hora você fica com tesão e, basicamente, não tem onde… onde… como é o nome. Oops! Chutei a garrafa, Mau-mau, chutei a garrafa, ela vai cair…Quê? Pegar? Eu não posso pegar! A minha coordenação motora está debilitada, se eu pegar eu vou cair e se eu cair, putz, vai ser a milésima vez em uma semana. Quê? Você quer morder a minha boca? Beleza, então. Feliz? Quer saber? Desiste de procurar, ninguém vai achar mesmo… tá escuro, tá noite, ou manhã, sei lá, esse horário de verão fode tudo. Pego-a pela mão. Tá vendo esse meu amigo ali? Fica com ele? Prometi a ele que ia arrumar uma garota essa noite (ele me deu outras informações desnecessárias do tipo “oh, eu sou virgem e tenho vinte anos”, “mas eu já me peguei intensamente com umas cinco mulheres que me convidaram para ir as suas residências e eu recusei com medo de fazer merda”). Não? Por quê? Ah, ele é meio esquisitinho mesmo. Mas é muito gente boa e, dependendo do ângulo, gato. Do ângulo, do álcool. Então, você não fica com ele pra me fazer um favor? E comigo?

16/09/2010

É estranho quando você encontra alguém que está disposto (a) a ouvir as coisas mais idiotas que você tem a dizer, aquelas que você costuma omitir porque ninguém se importa (ou você acha que ninguém se importa). E então essa pessoa específica fala te olhando nos olhos e vocês compartilham histórias de anéis e algumas coisas que você não se lembrava fazia três anos. Que você preferia não lembrar, mas não se importa de compartilhar porque simplesmente tudo mudou.

27/07/2010

Quão perturbador pode ser sonhar com uma garota que você mal-conhece e, no sonho, ela te chama de “bebê” e você fica tipo, absurdamente feliz? No sonho, é claro.

16/07/2010

Acho desagradável notar que eu sempre gosto dos mesmo tipos de pessoas. As que me fascinam sempre. Não que haja um padrão, mas eu sinto que são sempre os mesmos tipos.
O cara que trabalha comigo tem duas netas. Algumas vezes elas ficam aqui no escritório porque a mãe e o pai estão trabalhando e elas não podem ficar sós. A mais velha deve ter uns nove anos e é uma chata, tipo chora porque você não vai levá-la para comer junkie food.
A mais nova deve ter um seis anos e é o tipo de criança que você queria ter sido um dia ou então que os seus filhos fossem — viciados em jogos, hiperativos e tímidos. Ela é muito fofa, o nome dela é Thaís e ela sabe o meu nome. Algumas vezes ela senta em frente a minha mesa e fica me olhando.

Hoje ela me trouxe um bombom e saiu correndo.

28/06/2010

— Ah, essa história é legal. Você já leu a HQ em que o Superman explica o porquê ninguém o reconhece enquanto Clark Kent, sendo que a única diferença entre um e outro é o uniforme azul e vermelho e os óculos? Ele diz que o material dos óculos dele é da nave que o trouxe de Krypton, então, os óculos são tipo mágicos assim, porque são de outro planeta e ele pode escolher a imagem que ele passa para as outras pessoas, algo do gênero. Ele diz que quer que as pessoas o vejam como o Clark cansado, quase morto, sei lá… aí quando as pessoas vêem aquela figura máscula e saudável, não o reconhecem. Você entendeu?
— Entendi, sim.
— Aí, quando você diz que as pessoas te julgam e não vêem quem você realmente é, porque isso e aquilo, meu interior, blá blá, você está usando os óculos.
— Se é assim, então, eu uso os óculos da nave kryptoniana sem querer, sem me dar conta. Sabe o que eu acho, Raquel? Acabei de me dar conta que você me conta essa história do Superman e prepara toda essa metáfora bêbada, quando por baixo dos panos, você está se referindo a você. Eu sou o Clark Kent que as pessoas vêem, mas você… voce é o Clark Kent que escolha quando tira e coloca os óculos. Normalmente você os usa a maior parte do tempo, porque, ao contrário do Super Clark, quando você os tira, as pessoas só vêem o quanto você é invulnerável.

20/06/2010

Tudo começou no sábado passado.

Era Dia dos Namorados e eu sou um ser livre, que preza pela sua liberdade — leia-se solteira — e eu resolvi pegar o metrô e fazer um passeio. Cruzei com certos tipos de casais que me fazem acreditar em relacionamentos e eternidades e outros que me diziam exatamente ao contrário. Como uma fileira inteiramente composta por casais homo-hétero acima de sessenta anos. Bonitinho. Ou um casal de cadeirantes.

— Vem cá, querida. Você namora, né? Ganhou presente?
— Sim. Um tênis. Pela cara eu dava uns R$ 20, mas aí eu joguei na internet e é… R$ 115 e eu achei ótimo, porque vou na loja trocar por um sapato escândalo.

Depois eu desacredito no amor do mundo e sou errada.

Mas o que eu queria dizer que, enquanto eu analisava as pessoas e seus comportamentos perante feriados comerciais, eu sem querer comecei a ler o jornal do senhor do meu lado, a reportagem falava sobre um bar recém-aberto em Botafogo, onde o dono prometia dar uma rodada de cerveja gratuita a cada gol da Nigéria conta a Argentina. Só então eu percebi que, olha, a Copa do Mundo tinha começado.

Aí eu parei pra pensar e eu criei esse blog em 2007, ou seja, não há nenhum post em referência ao inferno que foi a Copa do Mundo de 2006. Ou a de 2002, eu acho.

A de 2002 eu passei na casa de uma (agora falecida) tia minha que morava num lugar bem distante. E com os meus tios e tinham balões enormes e fogos. E a minha tia era doente por futebol, então, foi bem divertido, porque os acessos de raiva dela eram como um espetáculo.

Esses dias eu passei lá pela Uruguaiana e vi um grupo de pessoas bem denso em frente a uma dessas lojas de departamento, tipo homens e mulheres, de dezoito e setenta anos, pós-expediente, etc e eu me perguntava qual seria o fator de união diante de um grupo tão… heterogêneo? Aí eu olhei pra mão deles e e eles trocaram figurinhas do álbum da Copa, cara! Tem noção?

E hoje eu fui no mercado. E tinha um cara muuuuuuuuuito bonito e grande, com uma camisa tipo retrô do Vasco e eu quase o cantei, coisa e tal, mas, oi.

E a mulher atrás de mim falava demais comigo e eu só queria observar a grande fauna exótica das pessoas que povoam as filas do supermercado num domingo, mas ela queria saber como era que eu sabia que os palmitos estavam macios e eu nunca comi palmito. Aí ela disse que era como champignons e eu odeio champignon.

Sei lá. Ela também falou que alcaparra tem um aroma ótimo e que fica impregnado na sua garganta, que é ótimo para usar em peixes.

E eu odeio peixe.

Mulher não dá uma bola dentro, né. Aí eu penso que dez minutos antes, uma mulher ficava constrangida e bonitinha porque eu presenciava um ataque espontâneo de alegria diante da promoção do Bis. Como se ela me devesse explicações, né.

— É que… hoje é dia de jogo, né? Só assim pra agüentar.

Obs.: Esse post foi escrito com um intervalo de tempo mó grande que eu não sei expressar.

04/06/2010

O Personare diz que é “tempo de amar”. É, realmente, eu preciso amar, all you need is love, mas eu tô com um semi-bloqueio e meio que me apaixonando por umas várias pessoas em curto espaço de tempo, tendo ataques solitários de ciúmes, enfim, tento me convencer que não tenho problemas mentais.
Hoje fiz a minha irmã ler o horóscopo de quarta-feira (que foi o último jornal que eu comprei) para mim. Reformularam o jornal, tipo mudaram a arrumação das páginas e as fontes… e chamaram uma nova mulher do horóscopo.

Com exceção da mudança em relação a mulher do horóscopo, eu preferia do jeito antigo. As letras antigas, a arrumação antiga. Gostava muito.

A mulher nova do horóscopo é bem eficiente: todos os conselhos que ela dá servem para todas as pessoas do mundo e se adequam a todos os problemas do mundo e ela sempre coloca em negrito alguma coisa como “é hora de mudar”, “hora de dar tempo ao tempo”… algo com a pretensão de ser impactante. E eu gosto. Algumas vezes ela coloca anedotas sem sentido no rodapé. Mesmo que eu não acredite nisso, eu ainda gosto disso.

Amanhã é meu aniversário (tipo daqui a sete horas e sete minutos) e eu tem alguma coisa me incomodando e eu não sei o que é. Eu também estou resfriada e tenho medo de estourar meu tímpano assoando o nariz, como o meu amigo.

Tudo na minha vida parece que está no lugar errado e, sei lá. Tô com uma sensação estranha de não saber como consertar.

Ainda tenho café.

Acho que vou gastar uma grana num headphone enorme.

28/05/2010

— Dia dos Namorados chegando…
— Dá uma depressão.
— Por que? Não foi você que escolheu não namorar? Blábláblá eu não estou solteira, eu sou solteira…
— Sim, eu escolhi.
— Por que a depressão, então?
— Sei lá, é meio que estranho quando você esbarra em buquê de flores. É clichê e ridículo, as flores murcham e tudo fica uma merda depois, mas é legal ter encontrado alguém pra cuidar de você. Nem que ela só esteja com você pra ganhar presente.
— Acho que vou dar um presente pra minha ex.
— Dá sim. Uma casca de banana podre. Eu pinto os olhinhos.
— Raquel, você quer namorar comigo?
— Ok. O que você quer de presente, já que namoramos agora?
— Você.

(a atendente diz que acabou os sachês de ketchup, me faço de desentendida, não sei o que se responde nessas horas)

— Então, o que você quer de presente?
— Eu já falei, né.
— Você prefere chocolate branco ou preto?
— Branco.

(cinco minutos depois)

— Raquel, eu já falei: eu quero você.
— Tá.
— Eu vou cobrar.

22/05/2010

Voltarei a postar nesse blog aqui. Fiz questão de abandoná-lo por muito tempo, assim posso postar minhas putarias pessoais sem saber que xis ou ípssinoli vão comentar comigo num dia qualquer. E fazer suposições, etc.
Queria ter alguém pra me abraçar nesse frio. E tomar chocolate quente comigo. Ou cappuccino. E me morder.

12/03/2010

Me apaixonei por umas três pessoas diferentes em um mês. É sério isso.
Faltam dezenove minutos pras vinte e uma horas. E aí eu penso, eu visualizo alguém me perguntando as horas nesse exato minuto e, com o meu tão desejado relógio do Salvador Dalí (o bigodinho é o ponteiro e se mexe) eu digo “ah, dezenove pras vinte e uma”. Como se alguém dissesse isso! Mas o meu tom ia ser tão natural.

Minha mãe quer me matar. Ela veio na surdina e desligou o ventilador. E eu só senti que suava muito e que todas as minhas camisas em breve se tornarão regatas.

O chá tá pronto. Sim, você não leu errado, o chá. Eu tenho sérios problemas com abstinência de café e o açúcar acabou e eu sou filha da puta o suficiente pra não comprá-lo — e já faz uma semana. E eu tenho preguiça de fazer café no trabalho. Ninguém toma café naquela porra. Inferno.

Mesmo eu me desidratando com cinco minutos sem ventilador, eu preciso tomar algo quente, porque esses dias eu sinto a estranha necessidade de sentir alguma coisa (tô anestesiada). Hoje eu peguei o metrô errado e, quando vi, eu estava em São Cristóvão. Então, eu deixei… tudo bem. Nunca pego os trens da linha dois do metrô. A linha dois do metrô é conhecida pela linha em que uma velhinha adentra o vagão e todos que se encontram sentados nos bancos preferenciais fecham os olhos e simulam roncos e coisas do tipo.

O legal da linha dois do metrô é que rola um esquema de superfície e você vê o feio do Rio de Janeiro, tipo o que você não encontra em guias turísticos porque ninguém se importa.
Quando chover, me envie uma mensagem de voz gratuita para o número do meu celular e diga “pegue a linha dois”. Imagine, o trem sendo molhado, os vidros embaçados… você dentro de um lugar com ar-condicionado, pessoas de olhos fechados, o barulho (ou será que isola?) da chuva e todo mundo pensando que demora quarenta minutos pra chegar em casa e eu lá, pensando na textura das coisas que ultrapassam o tato, que ultrapassam todos os sentidos do mundo, afinal, mas que você sente assim mesmo. Que eu sinto assim mesmo.

Aí eu ia lembrar de quando, há uns anos atrás, eu fui a Petrópolis. Petrópolis chama Petrópolis porque vem de petróleo. Mentira, mas eu escutei isso. Eu num ônibus, com uma camisetinha de tecido fino fino, sem puta idéia de nada, indo pra Petrópolis porque Petrópolis parecia ser um lugar legal.
A imagem da subida na serra (Serra? Será?) nunca sai da minha mente. E eu dentro daquele ônibus-ar-condicionado-modernésimo. Deve ser tipo quando chove na linha dois do metrô. Que é quando chove no Rio de Janeiro. Que é quando chove na linha um, que é onde ninguém vê nada, só o próprio reflexo no vidro.

— Você parece triste hoje, Raquel.
— Quê? Anhm? Putz. Eu não tô triste. Estar é um estado de espírito passageiro, mas eu não sou adequada a esse tipo de estado. Eu sou feliz, eu tô feliz. Eu tô aqui com você.

Aí eu dou um puta sorriso amarelo. Quando você lê aquela placa “sorria, você está sendo filmado” e você sorri, você sorri amarelo, porque não há mais a surpresa.

E aí eu continuo o monólogo:

— É esse sol… esse calor. Bloqueia a minha mente. E eu escuto essas músicas tristes de gente sem amor.

Essa mina que acha que eu tô triste fica olhando fixamente pra mim quando eu tô distraída. E ela é a terceira pessoa que fica olhando fixamente pra mim quando eu tô distraída. Eu sou cínica mas fico constrangida.

— Cara, você tem esses olhos.
— Que olhos?
— Sei lá. Eles são muito bonitos.
— Por que?
— Eles são meio amendoados, uma coisa muito bonita.
— Eu não tenho olhos amendoados porra nenhuma. E sou a Juliana Paes.
— Pára.
— Ok.

Aí, como uma cena de filme, corta para a gente numa estação de metrô da linha dois.

— Detesto essas gurias destruidoras de coração que nunca precisaram correr atrás de ninguém e sempre tem quem querem na palma da mão.
— Raquel, não é assim. Eu já… ok, é assim. Eu sou assim.
I don't know what to do when you try to hold my hand. Ou quando você quer que eu enlace a sua cintura. Complicado.

Cansei. Vai se ferrar, Fernanda.

Eu tenho um sério problema mental. Toda a hora a Fernanda dizia que a estação era/estava fazia e eu dizia que era porque ficava na linha dois, então, devia ser, sei lá, a estação putaquepariu e tava só a gente lá.

Obviamente é muito fácil falar de amor e relacionamentos quando todo mundo corre atrás de você, correto? Parei de bancar a bitch invejosa, tá tudo bem, eu tô numa boa. Eu vivo assim.

O dia em Petrópolis foi chuvoso, eu peguei chuva com a minha camisetinha fina que me deixou na puta que pariu de tanto frio, eu fui na fábrica de chocolates e isso me lembra o dia em que estiver chovendo e eu resolver pegar o trem da linha dois, sentar no banco especial, fechar meus olhos, escutando uma musiquinha bem interessante de gente sem amor.

O negócio é que eu jantei, tomei banho, deitei no sofá e fiz uma pá de coisas e faltam vinte e nove pras dez.

06/12/2009

— Tenho uma coisa pra te falar.
— É sobre você?
— Aham.
— Vai me fazer chorar?
— Não, não vai. Você não choraria por isso.
— Então fala.
— Em dois meses eu tô indo embora.

Segredo: chorei.

10/11/2009

Caso Surreal

Fui almoçar. Olho no ristorante inteiro: um lugar vago, ao lado dos Deuses Gregos. Como não sou mulher de esperar, fui direto para a mesa. O bonitinho não se deu ao trabalho de retirar a sua grande mochila que impedia a minha pessoa de sentar na cadeira, então, como não sou mulher de esperar, peguei a mochila e tasquei longe.

Mentira.

Chamei “o grande” e pedi para retirar a mochila do gentleman, que nem se importou. No caminho de volta ao escritório, uma moça tatuada, com cara de viciada em drogas na abstinência, levemente chapada, me diz que consulta com Profetisa Valquíria é de graça. De graça até injeção no olho e, até porque, sou arroz soltinho — tooooooooda receptiva. Vamos. Então, subi numa escadinha de madeira traçando rotas de fuga e revendo meus golpes fatais que aprendi a nunca coloquei em prática.

— Nome?
— Raquel Estrela. (sempre mentindo os nomes)

Então, vejo um senhor transtornado e chorando. Taquicardia, “hm, já vi que será emocionante”.

Entro na sala, branca e uma mulher com cara de louca, vários anéis e trajando jaleco sentada, me olhando.

— Você que é a Raquel, hm, Estrela?
— Eu merma.
— Você tem algum problema?
— Não.
— Você tem insônia?
— Tenho.
— Isso já é um problema, correto?
— Correto.
— Quando você não consegue dormir, o que faz?
“Eu me masturbo vejo vídeos pornôs do Burning Angel.”
— Eu fico olhando pro teto.
— Sua cabeça fica vazia, não é?
“Nunca! Cafeína e sangue no olho!”

Então, comecei a pensar em corsets. Vocês não tem noção, a mulher era uma vigarista da cabeça aos pés.

— Sim senhora.
— Você mora com a sua mãe e seu pai?
— Não, só a matriarca.
— Eles são separados?
— Nunca se casaram.
— Isto é um trabalho de feitiçaria que fizeram contra a sua avó e que refletiu nos filhos e filhas e vai refletir em você.

Pausa. Dona Juliana, minha avó? Dona Juliana morreu em 1982, ainda no capiau interior e todos da cidade a amavam e veneravam e todos compareceram ao enterro. Sem exceção. Então, ela pediu para eu falar da minha vida sentimental. Falei que nem guêi no armário, “uma pessoa”, “uma pessoa”, nada demais. Então eu falo que não costumo me envolver sentimentalmente com as pessoas (entretanto tenho uma promiscuidade sentimental escandalizadora).

Então ela disse eu ia às festas toda arrumada e que me perguntava o por quê dos homens não olharem pra mim. Isso nunca aconteceu, biexo. Os caras sempre mexem e sempre é desagradável. E ela tocou muito nessa tecla dos meus homens que não olham pra mim, dizendo que eu me perguntava o por quêêêê eles não comentavam, cara, eles comentam, elogiam, bibibibi. Louca de jaleco.

Então ela disse que era para eu levar a matriarca para fazer uma limpeza espiritual, pois éramos afetadas por entidades e McBlá. Então, ela pegou na minha mão e disse que era para eu pensar na minha vida e disse que eu era invejada no trabalho.

Claro. Trabalho com três pessoas muitíssimo bem sucedidas e que provavelmente não sentem inveja das minhas camisas de lenhador. Mulher não fazia o mínimo pra impressionar, tava me sentindo traída. Então, ela diz que se fosse de meu interesse, que levasse uma peça íntima branca (pois a mesma disse que não trabalhava com outras cores). Malzaê, minha bregaíntima só tem bege.

Emocionada, ela abriu a gaveta e me deu um saquinho com sal ESPIRITUALIZADO (palavras dela) que era para eu colocar no meu armário e que amanhã, se eu quisesse comparecer ao culto, curimba, exorcismo, sei lá, que levasse uma oferta S-I-M-B-Ó-L-I-C-A de R$ 21.

04/11/2009

Tudo deslizando. Desliza fácil. Das minhas mãos e vida. Eu deslizo, meu deslizamento me projeta através quedas sequenciais, tropeços. Imagina se o chão da rua fosse como o chão de banco.

Quando pegam no meu cinto que tem uma caveira eu acho sempre uma coisa muito erótica porque tudo é muito erótico pra mim. Minha essência de menino pós-descoberta com Playboy nas mãos.

Vou te cortar em cubinhos porque (te) comer em cubinhos é mais gostoso. Ou não. Eu gosto das coisas frias, ponho no freezer. Num freezer que não é meu, com cervejas que não ão minhas. Odeio cerveja.

Ou não, afinal. Sou quente paca. Não posso tocar, nem te comer em cubinho, caso contrário você se desfaz.

Você se incomoda se eu passar a mão no seu cabelo? Desde que esse seja cabelo composto por olhos profundos e sorriso estonteante. Aí eu quero sim. Muito bom. Meu amor é gratuito.

Tenho superpoderes. Posso me tornar invisível, por exemplo. Mesmo quando o que eu mais quero é ser vista.

You're perfect, yes, it's true/But without me you're only you

15/10/2009

— Bom dia!
— Porra! Bom dia? Você sabe que merda de dia que foi o meu? Você tem noção de quanto o meu dia foi escroto? Que eu fui demitido? Que um carro passou e me molhou todo? Você sabe, porra? Então enfia essa sua sua educaçãozinha dada pelos teus pais onde o sol não bate. E sabe o que mais? São nove horas da noite. Você é retardada ou o quê?
— Bom dia porque… o “dia” abrange o dia inteiro, porque estamos quase no horário de verão e eu não sei o que é noite, bom dia porque hoje eu falei com você, bom dia porque eu te amo porque você é a pessoa mais fodida do mundo inteirinho. Bom dia você, bom dia vida. Bom dia.

05/10/2009

— Não conte a ninguém.
— Contar o quê?
— O que eu te falei no outro dia.
— Que dia?
— Naquele dia em que eu salvei a sua vida.
— E que dia foi isso? Causa de quê que eu não lembro?
— Não se faça de desentendido não, viu.
— Eu não estou me fazendo… o que é que eu não posso contar pra ninguém?
— Ninguém não. Alguém. É segredo. As pessoas não podem saber.
— Saber, de contas, o quê?
— Que eu disse que eu gostava de você porque pra salvar a tua vida eu precisaria te trazer comigo pra sempre.

28/09/2009

drink up, baby/stay up all night/things you could do, you won't, but you might/the potential you'll be that you'll never see/promises you'll only make
drink up, baby, look at the stars/i'll kiss you again between the bars/where i'm seeing you there/with your hands in the air, waiting to finally be caught
drink up one more time and i'll make you mine/keep you apart, deep in my heart/separate from the rest, where i like you the best/and keep the things you forgot/people you've been before that you don't want around anymore/they push and shove and won't bend to your will/i'll keep them still